Teste: Nissan Frontier LE 2.3

Faróis da Frontier LE contam com luzes de rodagem diurna em leds (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Faróis da Frontier LE contam com luzes de rodagem diurna em leds (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

 

A Nissan Frontier conhece bem essa trilha. A picape estreia novamente como importada em uma única versão, a LE de R$ 166.700, para chegar somente depois em grandes lotes. Só que a importação não veio via Tailândia como das últimas duas vezes, a nova geração vem do México e será produzida em 2018 em Santa Isabel, Argentina.  

Vir em versão única pode não agradar aqueles que desejam uma picape com tudo que tem direito. Contudo, foi uma forma de não deixar desguarnecida a faixa de preço da geração anterior, vendida por R$ 156.790 na versão SL 2.5. A Frontier foi o último carro da Nissan a sair da fábrica paranaense. A mudança não deixa sabor amargo: os operários foram integrados ao grupo Renault e da japonesa ficou apenas a equipe de engenharia.

A Frontier tem tração 4X4 que pode ser engatada a até 100 km/h (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

A Frontier tem tração 4X4 que pode ser engatada a até 100 km/h (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

 
Em Santa Isabel, a picape será feita ao lado das hermanas Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X, esta última, bem diferente em estilo, mecânica e conteúdo. A produção está prevista para 2018, quando a Frontier passará a vir em uma linha completa, que incluirá uma versão mais equipada que a LE testada.

Impressões ao dirigir

Parte das especificações já haviam sido liberadas bem antes da picape feita em Aguascalientes colocar suas rodas no primeiro navio cargueiro. O motor 2.3 16V pode ser menor do que o antigo 2.5, mas gera os mesmos 190 cv e 45,9 kgfm a 2.500 rpm. São dois turbos, um de baixa e outro de alta pressão. Na arrancada, entram as duas turbinas para dar toda a força necessária. Quando você precisa de pouca força e roda apenas em ritmo de cruzeiro, apena uma turbina de baixa pressão vai funcionar, medida que economiza combustível. Segundo o Inmetro, a Frontier fica na categoria B do programa de etiquetagem Conpet. Sâo 8,9 km/l de diesel na cidae e 10,1 km/l na estrada.

 

O fabricante trocou também o antigo câmbio automático de cinco marchas, substituído por uma nova caixa de sete velocidades sequencial. O manual de seis marchas será oferecido quando vier a a picape argentina.

Bem disposto desde as profundezas do conta-giros, o motor conta com a esperteza do câmbio, cujo escalonamento privilegia arrancadas nas marchas baixas e giros baixos a velocidades de cruzeiro. O fabricante anuncia arrancada de zero a 100 km/h em 12,5 segundos, mas a picape anda mais do que isso. O modo automático funciona intuitivamente, basta um pequeno declive para uma marcha ser baixada de bate pronto e qualquer resvalada do pé direito dá em redução instantânea.

Nova Frontier aposta nos mesmos vincos dos novos Nissan de passeio (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Nova Frontier aposta nos mesmos vincos dos novos Nissan de passeio (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

 

Ser mais leve ajuda. Foram cortados 44 kg no chassi, 94 kg na carroceria e 38 km em peças diversas. Ao contrário da Mitsubishi L200 Triton Sport, a Frontier ganhou um chassi novo em nome da robustez, a estrutura é quatro vezes mais forte. Ampliado em apenas dois centímetros, o comprimento ainda é administrável no trânsito urbano. A caçamba com 1,51 metro de comprimento agrada pelos ganchos deslizantes, mas seus 805 litros de capacidade ficam para trás de alguns concorrentes e virá com protetor apenas nos primeiros 500 carros.  

Mudar de direção com a Frontier quase exigia uma rotatória, o diâmetro de giro era de 13,2 metros. A nova é capaz de fazer uma volta completa em 12,4 m. Curiosamente, há um ponto em que a antiga era melhor: a maciez da direção. A nova tem assistência hidráulica pesada em manobras. O único lado bom disso é a firmeza de centro de volante ao se rodar mais rapidamente.

Acabamento da cabine da Frontier evoluiu no mesmo passo do visual (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Acabamento da cabine da Frontier evoluiu no mesmo passo do visual (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

A suspensão não dispensa os esquemas McPherson à frente e eixo rígido atrás. Entretanto, o eixo traseiro apela para dois truques que têm deixado os utilitários menos saltitantes: há cinco pontos de apoio e molas helicoidais no lugar dos feixes. Do mecaniquês para o bom português, a Frontier salta menos sobre imperfeições e não ameaça soltar a traseira a cada curva. O conforto de rodagem é reforçado pelas rodas menores do que no exterior, calçadas em pneus Maxxis 750 Plus Bravo H/T 255/70 aro 16.

Os pneus não atrapalham no off-road, junto com  a tração 4×4, que pode ser selecionada a até 100 km/h (era 80 km/h), e outros recursos mecânicos como  marcha reduzida e bloqueio do diferencial traseiro. A eletrônica faz sua parte com controle de velocidade em descidas, de estabilidade e de tração, além de assistente de rampa. Os ângulos fora de estrada são amplos, 31,6° de ataque, 27,2° de saída e altura do solo de 29,2 cm.

Os frotistas foram ouvidos na hora de fazer modificações no projeto. Uma delas está representada por um discreto botão à esquerda do volante. Ele aciona a regeneração do filtro particulado de diesel, um sistema que vem depois do catalizador e segura as particulas nocivas do combustível. Antes, você tinha que visitar uma concessionária para fazer o serviço, que não dispensa a troca ou limpeza do filtro. O acúmulo de particulas acontece mais quando você deixa o carro ligado em rotações baixas por muito tempo, caso das operações em minas, mas também pode acontecer com aqueles que rodam pouco com a picape, situação na qual o motor nunca opera na temperatura ideal.

Itens e equipamentos

Na hora de sair da terra e aproveitar os confortos terrenos, a cabine deu um jeito no visual datado da antiga Frontier. O nível de montagem evoluiu na mesma medida do visual. Uma tela LCD entre os instrumentos ajuda a modernizar o desenho do painel. A central Multi-App tem 2 GB de memória para baixar aplicativos e arquivos, porém, peca pela tela de apenas 6,2 polegadas sensível ao toque. Há um porta-copo no console em forma de chave de boca, uma referência ao ideal operário das picapes, junto aos botões de aquecimento dos bancos dianteiros – não há ventilação. Um porta objetos na parte inferior do painel tem entradas auxiliar e USB.

O espaço traseiro é bom para passageiros de pouco mais de 1,80 metro, mas nada de cinto de três pontos ou encosto central (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

O espaço traseiro é bom para passageiros de pouco mais de 1,80 metro, mas nada de cinto de três pontos ou encosto central (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Em ergonomia, a picape acerta nos bancos dianteiros semelhantes aos do Altima. Chamados de Gravidade Zero, os assentos lembram aquelas propagandas de travesseiro anatômico na denominação, mas entregam conforto acima da média ao forçar uma posição correta. Os ajustes elétricos para o motorista facilitam, diferentemente da pequena regulagem do volante somente em altura.

Muita cortesia para quem vai à frente, contudo, quem vai atrás ao centro sentirá falta do encosto de cabeça e cinto de três pontos. Ao menos o espaço basta para as pernas e cabeça para pessoas de até 1,80 m. O porta-copos retrátil não atrapalha e há saídas de ventilação, cuja temperatura do vento é a média entre o escolhido pelo motorista e passageiro no ar-condicionado duas zonas.

Fotos: Nissan Frontier LE 2.3

Fotos: Nissan Frontier LE 2.3

 
Há faróis com leds, revestimentos de couro, partida sem chave, sensor traseiro, assistente de rampa e controle de estabilidade, mas sentimos falta de airbags laterais e de confortos oferecidos na Frontier gringa. Em especial a câmera de 360 graus, presente no menor Kicks.

O incremento de quase R$ 10 mil pode até ser justificado pela mudança de nacional para importada, contudo, deixa a Frontier muito próxima de rivais mais equipadas. O utilitário da GM sai por R$ 168.590 na versão LTZ completa e a Volkswagen Amarok Highline parte de R$ 167.990 e tem como opcional apenas as rodas aro 19 (R$ 2.360), indisponíveis na Nissan. Ela representa um bom desconto apenas quando comparada às demais japonesas, tais como a Mitsubishi L200 Triton Sport HPE mais cara, cotada R$ 174.990, e a Toyota Hilux SRX de R$ 189.970, nem tão equipadas. A Ford Ranger Limited custa R$ 189.970, quase R$ 20 mil de diferença, valor que inclui o pacote de segurança mais recheado.

Por sua vez, os custos estão dentro da média do segmento, incluindo o seguro salgado. Atenção apenas ao valor da segunda revisão (R$ 1.155), custosa demais por incluir os filtros de ar, de combustível e do ar-condicionado, que serão trocados novamente aos 40 mil km.  

Apenas os 500 primeiros compradores terão protetor de caçamba de série (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Apenas os 500 primeiros compradores terão protetor de caçamba de série (Foto: Fabio Aro/Autoesporte)

Vale a compra?

Sim. A picape evoluiu muito em desempenho, tecnologia e conforto. Em relação aos rivais nipônicos, até que a Frontier tem valores competitivos. Entretanto, poderia ter aumentado menos por não trazer itens presentes em rivais como a Chevrolet S10 ou a Ford Ranger, como sensor de ponto cego, alerta de colisão frontal e frenagem automática (só na Ford). Sem falar nas bolsas infláveis laterais e do tipo cortina. Alguns itens ausentes serão acrescentados nas versões mais caras quando Nissan obtiver sua cidadania argentina no ano que vem. 

Ficha técnica

Motor
Dianteiro, longitudinal, 4 cil. em linha, 2.3, 16V, comando duplo, turbo, injeção direta de diesel

Potência
190 cv a 3.750 rpm

Torque
45,9 kgfm a 2.500 rpm

Câmbio
Automático de 7 marchas, tração integral temporária

direção
Hidráulica

suspensão
Indep. McPherson (diant.) e eixo rígido (tras.)

Freios
Discos ventilados (diant.) e tambores (tras.)

pneus
255/70 R16

Dimensões
Compr.: 5,25 m
Largura: 1,85 m
Altura: 1,85 m
Entre-eixos: 3,15 m

Tanque
80 litros

Caçamba
805 litros (fabricante)

Peso
1.985 kg

Central multimídia
6,2 pol., sensível ao toque

Garantia
3 anos

Cesta de peças**
R$ 5.495

Seguro***
R$ 8.178

Revisões

Revisões 10 mil km: R$ 595
Revisões 20 mil km: R$ 1.155
Revisões 30 mil km: R$ 595

Outras informações

*Cesta de peças consiste de: Retrovisor direito, farol direito, parachoque dianteiro, lanterna traseira direita, filtro de ar (elemento), filtro de ar do motor, jogo de quatro amortecedores, pastilhas de freio dianteiras, filtro de óleo do motor e filtro de combustível.

**Seguro: as cotações foram feitas pela Saucedo Seguros (2506-9242) com base no perfil de um homem de 40 anos, casado, morador da zona sul de São Paulo, sem bônus.

Fonte: Revista Autoesporte

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