Você sabe o que é um bom negócio?

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O empreendedor deve saber que o melhor, às vezes, não é ter a empresa que “ganha mais”

Em 2013, eu fui convidado generosamente pelo amigo Dhaval Chadha para palestrar em um evento (o mais bacana que participei em 2013) chamado ‘Impacto: future of business’.

O evento era dividido em 4 grupos de palestras – Creative, Open, High-tech, Good.

Como ele já me conhecia e sabia os assuntos nos quais estou trabalho, Chadha pediu para eu palestrar dentro do grupo denominado ‘Good’ com total liberdade para escolher sobre o que falar.

Achei legal o nome do grupo e feliz por fazer parte dele. Mas semanas antes do evento, ao refletir sobre o que falar, me peguei pensando sobre o porquê da existência de um grupo de palestrantes para falar sobre negócios good.

Porque separar negócios normais e negócios good?

Aliás, o que seria um negócio good? Mais ainda: o que é um bom negócio? Pimba! Me veio a ideia de transformar esta reflexão e pergunta na própria palestra. O que é um bom negócio? Será que não estávamos todos nós respondendo errado a esta pergunta?

Uma confissão a vocês: poucas coisas no mundo me dão mais agonia do que receber aquele parabéns em que a pessoa lhe escreve: $uce$$o. Assim mesmo, cheio de cifrões, definindo sucesso como ganho financeiro. Se você é um destes amigos que me mandou uma mensagem assim, tudo bem, sem problemas, continuo gostando de você.  Pra te consolar e me entristecer, diria que você não está sozinho.

Construímos um mundo em que se acredita que quanto mais dinheiro ganhamos, mais sucesso, mais proteção, mais segurança e talvez mais felicidade nós teremos.

Já diria um filósofo: “Se tudo o que você tem na mão é um martelo, tudo começa a se parecer com um prego”.

Apenas como exemplo, quantas vezes você pegou seu jornal de manhã, ou seu smartphone e leu uma notícia sobre o ranking dos maiores milionários brasileiros do ano? E em quantas manhãs você viu a notícia sobre o ranking dos brasileiros que mais impacto positivo criaram para o país no último ano?

E assim a indústria comunica, a mídia veicula, o jornalismo revela. Os martelos estão aí. E nós? Consumimos e geramos demanda para tudo isso como pregos obedientes, valorizando o que não tem valor essencial. Produtos, serviços e informações que nos mantém acreditando que sucesso vem com cifrão.

A resposta para a pergunta o que é um bom negócio apenas reflete mais esta martelada. Dez entre dez pessoas responderiam que bom negócio é aquele que tem mais lucratividade, fontes de receitas estáveis, baixo custo fixo e ainda se possível em um setor com altas barreiras de entrada.

Está tudo absolutamente alinhado. O que nos é comunicado é consumido, reproduzido e reciclado para nos ser “recomunicado”. E assim passa-se a vida.

Prefiro acreditar que bom negócio vai muito além de um modelo que seja altamente lucrativo financeiramente. Não, também não vou defender aqui que necessariamente bom negócio seja aquele que resolva os maiores problemas da humanidade e que você ganhe um premio Nobel por ele.

Vou defender aqui a simples ideia de que um bom negócio é aquele que é um bom negócio antes de tudo para você. Aquele negócio que reflita quem você quer ser no mundo, que reflita como você quer passar o seu dia a dia.

Não há nada mais fácil de encontrar do que empreendedores absolutamente realizados com o que construíram enquanto empresa, bem sucedidos financeiramente, mas absolutamente infelizes com seu dia-a-dia, com uma rotina massacrante que muitos não desejavam, não sonharam e que agora se sentem dela escravos.

Um grande amigo que trabalha com o tema “propósito”, desenvolveu com grande felicidade o termo “EUpreendedorismo”, querendo dizer algo como empreender a si próprio. Se conhecer cada vez mais e criar uma vida e um negócio que seja um reflexo verdadeiro não apenas do que você gosta como assunto, mas que reflita a vida que você quer levar, a rotina que você quer ter, as pessoas que você quer cercar.

O que seria portanto nesta visão um bom negócio?

Bom negócio é aquele que te faz sentir vivo.
Bom negócio é aquele que te faz feliz.

Ao invés de buscar nichos e oportunidades no mercado, busque se conhecer profundamente e empreenda algo que seja um reflexo de quem você é.

Não tenha dúvida: ser feliz é o melhor negócio que você pode empreender.

Por Rogério Oliveira

Fonte: Revista PEGN

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